Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular Brazilian Journal of Cardiovascular Surgery
EDITORIAL
Edward Araujo Júnior; Liliam Cristine Rolo; Luciano Marcondes Machado Nardozza; Antonio Fernandes Moron
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):II-IV
PDF PTARTIGO ORIGINAL
Antonio Alceu Dos Santos; Alexandre Gonçalves de Sousa; Hugo Oliveira de Souza Thomé; Roberta Longo Machado; Raquel Ferrari Piotto
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):1-9
Resumo PDF EN EMCOBJETIVO: Avaliar a mortalidade em 30 dias e em 1 ano associada à transfusão de glóbulos vermelhos após cirurgia de revascularização miocárdica. Esse procedimento já vem sendo questionado pela comunidade médica internacional, mas ainda é utilizado em grande escala em cirurgias cardíacas. Portanto, faz-se necessário mais evidência dessa prática médica em nosso meio.
MÉTODOS: Analisamos retrospectivamente 3004 pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica entre junho de 2009 e julho de 2010. Os pacientes foram divididos em dois grupos: Transfundidos e Não transfundidos.
RESULTADOS: O grupo de pacientes transfundidos totalizaram 1888 (63%) e o grupo não transfundidos 1116 (37%). Foi observado 129 óbitos em 30 dias, sendo 108 (84%) no grupo transfundidos e 21 (16%) no grupo não transfundidos (P<0,001). Os óbitos em um ano totalizaram 249 distribuídos em 212 (85%) hemotransfundidos e 37 (15%) sem transfusão (P<0,001). O odds ratio ajustado para mortalidade nos pacientes transfundidos foi de 2,00 (P=0,007) em 30 dias e 2,31 (P=0,003) em 1 ano. Mesmo em pacientes de baixo risco (idade<60 anos e com EuroSCORE < 2%), portanto com menos comorbidades, temos significativamente mais óbitos no grupo transfundidos em 30 dias (7,0% vs. 0,0%; P<0,001) e também em 1 ano (10,0% vs. 0,0%; P<0,001).
CONCLUSÃO: A transfusão de glóbulos vermelhos após cirurgia de revascularização miocárdica aumenta significativamente a mortalidade em 30 dias e em um ano, mesmo após correção de comorbidades e outros fatores. Novas opções terapêuticas e estratégias de gerenciamento e conservação do sangue autólogo devem ser estimuladas para reduzir as transfusões de hemoderivados.
Palavras-chave: Transfusão de sangue. Mortalidade. Células sanguíneas. Ponte de artéria coronária. Revascularização miocárdica. Complicações pós-operatórias.
Mário Issa; Álvaro Avezum; Daniel Chagas Dantas; Antônio Flávio Sanches de Almeida; Luiz Carlos Bento de Souza; Amanda Guerra Moraes Rego Sousa
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):10-21
Resumo PDF PTOBJETIVOS: O objetivo primário deste estudo é identificar preditores de óbito hospitalar em pacientes submetidos à cirurgia de aorta. O objetivo secundário é identificar fatores associados ao desfecho clínico composto hospitalar (óbito, sangramento, disfunção ventricular ou complicações neurológicas).
MÉTODOS: Delineamento transversal com componente longitudinal; por meio de revisão de prontuários, foram incluídos 257 pacientes. Os critérios de inclusão foram: dissecção crônica de aorta tipo A de Stanford e aneurisma de aorta ascendente. Foram excluídos casos de dissecção aguda de aorta, qualquer tipo, e aneurisma de aorta não envolvendo segmento ascendente. As variáveis avaliadas foram demografia, fatores pré, intra e pós-operatórios.
RESULTADOS: Variáveis com risco aumentado de óbito hospitalar (RC; IC95%; P valor): etnia negra (6,8; 1,54 30,2; 0,04), doença cerebrovascular (10,5; 1,12-98,7; 0,04), hemopericárdio (35,1; 3,73-330,2; 0,002), operação de Cabrol (9,9; 1,47-66,36; 0,019), cirurgia de revascularização miocárdica simultânea (4,4; 1,31-15,06; 0,017), revisão de hemostasia (5,72; 1,29-25,29; 0,021) e circulação extracorpórea (CEC) [min] (1,016; 1,007-1,026; 0,001). Dor torácica associou-se com risco reduzido de óbito hospitalar (0,27; 0,08-0,94; 0,04). Variáveis com risco aumentado do desfecho clínico composto hospitalar foram: uso de antifibrinolítico (3,2; 1,65-6,27; 0,0006), complicação renal (7,4; 1,52-36,0; 0,013), complicação pulmonar (3,7; 1,5-8,8; 0,004), EuroScore (1,23; 1,08-1,41; 0,003) e tempo de CEC [min] (1,01; 1,00-1,02; 0,027).
CONCLUSÃO: Etnia negra, doença cerebrovascular, hemopericárcio, operação de Cabrol, revascularização miocárdica simultânea, revisão de hemostasia e tempo de CEC associaram-se com risco aumentado de óbito hospitalar. Dor torácica associou-se com risco reduzido de óbito hospitalar. Uso de antifibrinolítico, complicação renal, complicação pulmonar, EuroScore e tempo de CEC associaram-se ao desfecho clínico composto hospitalar.
Palavras-chave: Aneurisma aórtico/cirurgia. Aneurisma da aorta torácica. Aneurisma aórtico.
Priscila Aikawa; Angélica Rossi Sartori Cintra; Cleber Aparecido Leite; Ricardo Henrique Marques; Claudio Tafarel Mackmillan da Silva; Max Dos Santos Afonso; Felipe da Silva Paulitsch; Evandro Augusto Oss
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):22-28
Resumo PDF ENOBJETIVO: Analisar os desfechos da cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) isolada com circulação extracorpórea em pacientes com idade > 65 anos em comparação àqueles com < 65 anos.
MÉTODOS: foram analisados 253 pacientes submetidos consecutivamente à CRM isolada entre 1º de dezembro de 2010 a 31 de julho de 2012. Os pacientes foram separados em dois grupos: GI (idosos > 65 anos) e GA (adultos < 65 anos). Foram analisadas variáveis pré-operatórias, intraoperatórias (tempo de CEC, tempo de pinçamento aórtico, tempo de submissão à VM e número de enxertos) e pós-operatórias (morbidade, mortalidade e tempo de internação).
RESULTADOS: Dos 253 pacientes, 103 pertenciam ao GI (40,7%) e 150 ao GA (59,3%). A taxa de morbidade foi significativamente maior no GI quando comparada ao GA (30% vs. 14%, P=0,004), porém não houve diferença na taxa de mortalidade (5,8% vs. 2,0%, P=0,165). No GA havia maior prevalência DM (39,6% vs. 27%, P=0,043) e tabagismo (32,2% vs. 19,8%, P=0,042); e no GI, maior prevalência de acidente vascular encefálico prévio (17% vs. 6,7%, P=0,013). Não houve diferença entre os grupos quanto às variáveis intraoperatórias. Na análise multivariada: tempo de internação na enfermaria (P=0,006), complicações cardíacas (P=0,011) e complicações respiratórias (P=0,026) foram variáveis preditoras de risco para maior mortalidade intra-hospitalar. No entanto, a idade > 65 anos não foi um fator preditor de risco associada a variável óbito.
CONCLUSÃO: Este estudo sugere que pacientes com idade igual ou superior a 65 anos possuem um maior risco de complicações intra-hospitalares no pós-operatório de CRM isolada com CEC em comparação com pacientes mais jovens.
Palavras-chave: Revascularização miocárdica. Idoso. Mortalidade hospitalar. Complicações pós-operatórias.
Mauricio de Nassau Machado; Marcelo Arruda Nakazone; Jamil Ali Murad-Júnior; Lilia Nigro Maia
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):29-35
Resumo PDF ENOBJETIVO: Avaliamos pacientes submetidos à cirurgia valvar em vigência de endocardite infecciosa na tentativa de identificar preditores independentes de mortalidade intrahospitalar em 30 dias.
MÉTODOS: Foram avaliados 837 pacientes consecutivamente submetidos à cirurgia valvar, no período de janeiro de 2003 a maio de 2010, em um hospital terciário de São José do Rio Preto, SP, Brasil. O Grupo de Estudo compreendeu indivíduos submetidos à intervenção em vigência de endocardite infecciosa e foi comparado ao Grupo Controle, considerando complicações clínicas perioperatórias e óbito por todas as causas em 30 dias.
RESULTADOS: Em nossa casuística, 64 (8%) pacientes foram submetidos à cirurgia valvar em vigência de endocardite infecciosa, sendo 37,5% deles com indicação de intervenção cirúrgica em múltiplas valvas. O Grupo de Estudo apresentou maior permanência em Unidade de Terapia Intensiva (16%), necessidade de diálise (9%) e maior mortalidade em 30 dias (17%) comparado ao Grupo Controle (7%, P=0,020; 2%, P=0,002 e 9%, P=0,038; respectivamente). A análise de regressão de Cox confirmou idade (P=0,007), lesão renal aguda (P=0,004), diálise (P=0,026), reoperação (P=0,026), reintervenção por sangramento (P=0,013), reintubação orotraqueal (P<0,001) e lesão neurológica tipo I (P<0,001) como preditores independentes para óbito. Embora a manifestação de endocardite infecciosa influencie na mortalidade na análise univariada, a regressão de Cox não confirmou tal variável como preditor independente de óbito em nossa casuística.
CONCLUSÃO: Idade e complicações perioperatórias destacam-se como preditores de mortalidade hospitalar em população brasileira. Cirurgia valvar em vigência de infecção ativa não se confirma como preditor independente de óbito nesta casuística.
Palavras-chave: Endocardite bacteriana. Procedimentos cirúrgicos cardíacos. Mortalidade hospitalar.
Francisco Gregori Júnior; Moacir Fernandes de Godoy; Celso Otaviano Cordeiro; Alexandre Noboru Murakami; Rogerio Teruya; Sergio Shigueru Hayashi; Wallace Kohata de Aquino; Luiz Eduardo Gallina
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):36-46
Resumo PDF PTOBJETIVO: Avaliar, clinicamente e pelo ecodopplercardiograma, o funcionamento da valva mitral em 22 pacientes submetidos à correção do refluxo valvar com substituição das cordas tendíneas nativas por cordas padronizadas de pericárdio bovino.
MÉTODOS: Os pacientes apresentavam insuficiência mitral degenerativa. Quatorze (63,6%) pacientes eram do gênero masculino e a idade variou de 19 a 76 anos (média 56,8±13,8 anos). As cordas de pericárdio bovino foram tratadas com glutaraldeído, com reforço de suas extremidades transversais formando um trapézio.
RESULTADOS: Um (4,5%) paciente faleceu no pós-operatório imediato em síndrome de baixo débito cardíaco e três (13,6%) no pós-operatório tardio. Uma (4,5%) paciente foi reoperada. As curvas atuariais de sobrevivência livre de óbitos por causa cardiovascular e livres de reoperações para os pacientes que deixaram o hospital (21) demonstraram taxas de 82,0±9,8% e 83,9±10,4%, aos 70 meses de pós-operatório, respectivamente. Dezessete (77,3%) pacientes estão vivos com a própria valva. Dos 17 pacientes vivos com a própria valva 16 (94,1%) estão em classe funcional I. O ecodoppler pós-operatório (média de 41 meses; 4 a 70 meses) demonstrou ausência de regurgitação mitral em 11 (64,7%) pacientes e regurgitação discreta em cinco (29,4%).
CONCLUSÃO: A técnica de implante de cordas padronizadas de pericárdio bovino para substituição de cordas tendíneas da valva mitral em pacientes com insuficiência mitral degenerativa demonstrou resultados bastante satisfatórios.
Palavras-chave: Insuficiência da valva mitral. Músculos papilares. Cordas tendinosas. Pericárdio.
Juliana Bassalobre Carvalho Borges; Rubens Tofano de Barros; Sebastião Marcos Ribeiro de Carvalho; Marcos Augusto de Moraes Silva
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):47-53
Resumo PDF PTOBJETIVO: Avaliar se existe correlação entre qualidade de vida e classe funcional em pacientes no pós-implante de marca-passo cardíaco, e sua relação com idade.
MÉTODOS: Investigados 107 pacientes de ambos os sexos (49,5% do sexo feminino e 50,5% do sexo masculino), tempo médio de implante 6,36 ±2,99 meses e média de idade 69,3 ±12,6 anos. Para avaliação da classe funcional, foi utilizada escala proposta por Goldman e para qualidade de vida, questionário AQUAREL associado ao SF-36. Realizada análise estatística pela correlação de Spearman, com significância de 5%.
RESULTADOS: Foram observadas correlações negativas entre qualidade de vida e classe funcional: AQUAREL nos três domínios, desconforto no peito (r=-0,197, P=0,042), dispneia (r=-0,508, P =0,000), arritmia (r=-0,271, P=0,005) e, no SF-36 nos oito domínios. Em relação à idade, correlação negativa com Capacidade Funcional do SF-36 (r=-0,338, P=0,000) e não se observou correlação com AQUAREL. Entre idade e classe funcional observou-se correlação positiva (r=0,237, P=0,014).
CONCLUSÃO: Neste estudo, encontrou-se correlação negativa entre qualidade de vida e classe funcional, evidenciando nesta amostra que os pacientes pertencentes a melhor classe funcional apresentaram melhor qualidade de vida. Conforme maior idade, pior a qualidade de vida em Capacidade Funcional e em classe funcional. Sugere-se, que idade e classe funcional influenciam qualidade de vida e as escalas de classificação funcional podem constituir um dos instrumentos que integram a avaliação e refletem a qualidade de vida em portadores de marca-passo.
Palavras-chave: Qualidade de vida. Marca-passo artificial. Indicadores de qualidade de vida.
Yong Cao; Lie Wang; Hong Chen; Zhiqian Lv
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):54-60
Resumo PDF ENOBJETIVO: Um método simples para reduzir a lesão de isquemia/reperfusão que pode acompanhar a cirurgia cardíaca teria grande valor clínico. O objetivo deste estudo foi investigar o efeito da perfusão hiperosmótica na isquemia/ reperfusão em corações isolados de ratos perfundidos.
MÉTODOS: Quarenta ratos machos Sprague-Dawley foram divididos aleatoriamente e tiveram os seus corações isolados perfundidos com tampão osmótico normal ou tampão hiperosmótico com a adição de glucose. Os corações foram então submetidos a 30 minutos de isquemia, seguida de 30 min de reperfusão. O fluxo coronariano, tempo de parada isquêmica, arritmia de reperfusão e da função ventricular foram registrados. Vazamento creatinofosfoquinase na artéria coronária, o miocárdio e atividade de superóxido dismutase e catalase foram também examinados.
RESULTADOS: Crações de ratos com perfusão hiperosmótica apresentaram maior fluxo coronariano, tempo prolongado de parada isquêmica (10,60 vs. 5,63 min, P<0,005), menor pontuação de reperfusão arritmica (3,2 vs. 5,3, P<0,001), melhor função ventricular e menos vazamento de creatina fosfoquinase (340,1 vs. 861,9, P<0,001) do que controles normais osmóticos. Teor de catalase e atividade do miocárdio também tiveram aumento significativo (1435 vs. 917 peso U/g de peso fresco, P<0,001) em corações perfundidos com solução hiperosmótica em comparação com os controles normais osmóticos.
CONCLUSÃO: O pré-tratamento com perfusão hiperosmótica em corações de ratos normais, o que é atribuído, em parte, ao aumento da atividade antioxidante, pode oferecer efeitos benéficos de isquemia e reperfusão induzida por lesão, aumentando o fluxo coronário e diminuindo a arritmia de reperfusão.
Palavras-chave: Isquemia. Traumatismo por reperfusão. Infarto do miocárdio.
Paula Moraes Pfeifer; Patricia Pereira Ruschel; Solange Bordignon
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):61-68
Resumo PDF ENOBJETIVOS: Verificar as estratégias de enfrentamento utilizadas por indivíduos que tiveram o coração transplantado e suas relações com percepção da doença e do transplante.
MÉTODOS: Estudo transversal com análise quantitativa e qualitativa. A amostra de 32 pacientes foi avaliada pela Escala Modos de Enfretamento de Problemas e questionário sociodemográfico; e cinco deles foram sorteados para entrevista. Realizou-se a avaliação da consistência interna da escala, cruzamentos entre as variáveis e os estilos de enfrentamento e a análise de conteúdo das entrevistas, relacionando os resultados ao discurso dos participantes.
RESULTADOS: Os indivíduos utilizaram todos os estilos de enfrentamento, predominando o focalizado no problema. Nos participantes que receberam preparo psicológico, houve aumento estatisticamente significativo dos enfrentamentos focalizados no problema e na busca de suporte social. Entretanto, naqueles que não receberam preparo, houve aumento significativo da utilização do enfrentamento focalizado na emoção. Através do método de Bardin, revelaram-se como categorias: doença, reação ao chamado, transplante, fantasias, pós-operatório, equipe e enfrentamento.
CONCLUSÕES: Os participantes utilizaram todos os estilos de enfrentamento, predominando a estratégia focalizada no problema. Os que receberam preparo psicológico usaram maior número de estratégias de enfrentamento ativas, o que evidencia a importância do acompanhamento psicológico durante o processo.
Palavras-chave: Transplante cardíaco. Adaptação psicológica. Perfil de impacto da doença.
Ricardo Adala Benfatti; Felipe Matsushita Manzano; José Carlos Dorsa Vieira Pontes; Amaury Edgardo Mont'serrat Ávila Souza Dias; João Jackson Duarte; Guilherme Viotto Rodrigues da Silva; Jandir Ferreira Gomes Júnior; Neimar Gardenal
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):69-75
Resumo PDF ENFUNDAMENTOS: O tratamento cirúrgico da insuficiência cardíaca padrão-ouro é o transplante cardíaco, porém, em decorrência das dificuldades desse tratamento, outras propostas cirúrgicas têm sido relatadas, entre elas o implante de ressincronizador cardíaco.
OBJETIVO: Analisar a função ventricular esquerda, por meio da ecocardiografia, de pacientes portadores de insuficiência cardíaca avançada com dissincronia interventricular submetidos a implante de ressincronizador cardíaco.
MÉTODOS: Entre junho de 2006 a junho de 2012, foram avaliados 24 pacientes com idade média de 61,5 ± 11 anos, portadores de insuficiência cardíaca congestiva avançada em classe funcional III e IV (NYHA), dissincronia interventricular e tratamento medicamentoso otimizado. Esses pacientes foram submetidos ao implante de ressincronizador cardíaco e avaliados ecocardiograficamente no pós-operatório de seis meses.
RESULTADOS: Houve melhora significativa dos parâmetros ecocardiográficos analisados. A média dos diâmetros diastólicos ventriculares esquerdos reduziu de 69,6 ± 9,8 mm para 66,8 ± 8,8 mm, diâmetros sistólicos de 58,6 ± 8,8 mm para 52,7 ± 8,8 mm e a fração de ejeção, média de 31 ± 8% para 40 ± 7% com nível de significância, respectivamente, de 0,019, 0,0004 e 0,0002, estatisticamente significativos com nível de significância de 0,05.
CONCLUSÃO: Houve melhora da função ventricular esquerda analisada por meio da ecocardiografia, em seis meses, de pacientes portadores de insuficiência cardíaca avançada submetidos a implante de ressincronizador cardíaco.
Palavras-chave: Insuficiência cardíaca. Terapia de Ressincronização Cardíaca. Ecocardiografia.
Rui M. S Almeida; Luciano Leitão
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):76-82
Resumo PDF PTINTRODUÇÃO: O uso de recuperador de sangue (RS) em cirurgia cardíaca é proposto para diminuir o uso de unidades de concentrado de hemácias estocadas (UCH), que aumenta morbidade, mortalidade e reações inflamatórias.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo é avaliar se o uso do RS diminui o emprego de UCH, é custo/efetivo e traz benefícios ao paciente.
MÉTODOS: Estudo prospectivo realizado entre novembro de 2009 e outubro de 2011, em 100 pacientes consecutivos, submetidos à cirurgia cardiovascular com circulação extracorpórea (CEC), hemodiluição mínima e hemofiltração. Os pacientes foram divididos em grupo 1 (sem RS) e 2 (com RS). Os critérios para a reposição de UCH foram instabilidade hemodinâmica e hemoglobina (Hb) <7-8g/ dl. Foram analisados dados demográficos, Hb, hematócrito (Ht), drenagem mediastinal e reposição de UCH, em diversos intervalos, e tempos de CEC, UTI e hospital.
RESULTADOS: Nos grupos 1 e 2, a idade média foi de 64,2 e 60,6 anos, com predominância do sexo masculino, o EuroSCORE logístico de 10,3 e 9,6 e a mortalidade de 2% e 4%, não relacionada ao estudo. O grupo 2 apresentou incidência de reoperações superior (12 x 6%), mas o número de UCH usado (4,31x1,25) e o tempo de internamento hospitalar (10,8x7,4) foram menores. Realizada análise uni e multivariada, que não demonstrou valores estatisticamente significativos, exceto no uso de UCH. A relação entre o custo do RS e das UCH foi custo/efetiva e o tempo de internamento, menor.
CONCLUSÃO: O uso de RS diminui o número de UCH usadas, não é custo/efetivo e mostrou benefícios ao paciente.
Palavras-chave: Recuperação de sangue operatório. Transfusão de componentes sanguíneos. Separação celular.
REVIEW ARTICLE
Michel Pompeu Barros de Oliveira Sá; Paulo Ernando Ferraz; Rodrigo Renda Escobar; Eliobas de Oliveira Nunes; Alexandre Magno Macário Nunes Soares; Frederico Browne Correia de Araújo e Sá; Frederico Pires Vasconcelos; Ricardo Carvalho Lima
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):83-92
Resumo PDF ENOBJETIVO: Comparar segurança e eficácia do seguimento a longo prazo da cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) com intervenção coronária percutânea (ICP), utilizando stents farmacológicos (SF) em pacientes com lesão de tronco de coronária esquerda não-protegida (TCE).
MÉTODOS: MEDLINE, EMBASE, CENTRAL/CCTR, SciELO, LILACS, Google Scholar e listas de referências artigos relevantes foram escaneados para estudos clínicos que relataram resultados em 5 anos de seguimento após ICP-SF eCRM para o tratamento de lesão de TCE. Cinco estudos (um de ensaio clínico randomizado e quatro estudos observacionais) foram identificados e incluíram um total de 2914 pacientes (1300 para CRM e 1614 para ICP-SF).
RESULTADOS: Aos 5 anos de seguimento, não houve diferença significativa entre os grupos CRM e ICP-SF no risco de morte (odds ratio [OR] 1,159, P=0,168) ou desfecho composto de morte, infarto do miocárdio , ou AVC (OR 1,214, P=0,083). O risco de necessidade de nova revascularização foi significativamente menor no grupo CRM em comparação com o grupo de ICP-SF (OR 0,212, P<0,001). O risco de eventos adversos cardíacos maiores e cerebrovasculares (EACMC) foi significativamente menor no grupo CRM em comparação com o grupo de ICP-SF (OR 0,526, P<0,001). Não foi observado viés de publicação sobre os resultados e considerável heterogeneidade dos efeitos sobre EACMC.
CONCLUSÃO: CRM continua sendo a melhor opção de tratamento para pacientes com lesão de TCE, com menos necessidade de novas revascularizações e EACMC no seguimento a longo prazo.
Palavras-chave: Metanálise. Revascularização miocárdica.
Ítalo Martins de Oliveira; Vera Demarchi Aiello; Marcela Maria Aguiar Mindêllo; Yasmin de Oliveira Martins; Valdester Cavalcante Pinto Jr
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):93-102
Resumo PDF ENCoração entrecruzado (criss-cross heart) é uma anomalia extremamente rara, caracterizada por rotação anormal da massa ventricular ao longo do seu eixo maior e pode estar associada com qualquer malformação dos segmentos e das conexões entre as câmaras cardíacas. Devido às alterações estruturais complexas e à raridade da anomalia, essa anomalia de rotação é muitas vezes mal diagnosticada. Neste trabalho são relatados dois casos de coração entrecruzado com ênfase no diagnóstico morfológico e nas técnicas cirúrgicas utilizadas. Foi também realizada revisão da literatura sobre o assunto, que, embora escassa, foi enfatizada quanto à morfologia, diagnóstico, abordagem cirúrgica e possíveis complicações.
Palavras-chave: Anormalidades congênitas. Procedimentos cirúrgicos cardíacos. Coração entrecruzado.
ARTIGO ESPECIAL
Fernando A. Lucchese; Harold G. Koenig
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):103-128
Resumo PDF ENIn this paper we comprehensively review published quantitative research on the relationship between religion, spirituality (R/S), and cardiovascular (CV) disease, discuss mechanisms that help explain the associations reported, examine the clinical implications of those findings, and explore future research needed in Brazil on this topic. First, we define the terms religion, spirituality, and secular humanism. Next, we review research examining the relationships between R/S and CV risk factors (smoking, alcohol/drug use, physical inactivity, poor diet, cholesterol, obesity, diabetes, blood pressure, and psychosocial stress). We then review research on R/S, cardiovascular functions (CV reactivity, heart rate variability, etc.), and inflammatory markers (IL-6, IFN-γ, CRP, fibrinogen, IL-4, IL-10). Next we examine research on R/S and coronary artery disease, hypertension, stroke, dementia, cardiac surgery outcomes, and mortality (CV mortality in particular). We then discuss mechanisms that help explain these relationships (focusing on psychological, social, and behavioral pathways) and present a theoretical causal model based on a Western religious perspective. Next we discuss the clinical applications of the research, and make practical suggestions on how cardiologists and cardiac surgeons can sensitively and sensibly address spiritual issues in clinical practice. Finally, we explore opportunities for future research. No research on R/S and cardiovascular disease has yet been published from Brazil, despite the tremendous interest and involvement of the population in R/S, making this an area of almost unlimited possibilities for researchers in Brazil.
Palavras-chave: Religião. Espiritualidade. Doenças cardiovasculares. Procedimentos cirúrgicos cardíacos. Pesquisa. Mortalidade.
Rodolfo A. Neirotti
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):129-136
PDF ENLuís Alberto Oliveira Dallan; Fábio Biscegli Jatene
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):137-144
PDF PTCOMUNICAÇÃO BREVE
José Carlos Dorsa Vieira Pontes; Amaury Mont’Serrat Ávila Souza Dias; João Jackson Duarte; Ricardo Adala Benfatti; Neimar Gardenal
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):145-147
Resumo PDF PTPaciente de 84 anos com dissecção de aorta torácica tipo A de Stanford comprometendo todo o arco aórtico e aorta descendente. Proposto e aceito o tratamento endovascular em função da gravidade do quadro clínico. Procedeu-se à dissecção das artérias femorais comum bilateralmente. A aortografia confirmou a exclusão da falsa luz e a patência dos óstios coronarianos.
Palavras-chave: Aneurisma dissecante. Procedimentos endovasculares. Stents.
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
Elton Alisson
Rev Bras Cir Cardiovasc 2013;28(1):148-149
PDF PTCARTAS AO EDITOR
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