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CORRELAÇÃO CLÍNICO-CIRÚRGICA

Aplicabilidade conjunta da endoprótese em reoperação na dissecção de aorta - Caso 7/2005

João Carlos Ferreira Leal; Luis Ernesto Avanci; Crecêncio CÊNTOLA; Domingo M Braile

DOI: 10.1590/S0102-76382005000400016

DADOS CLÍNICOS

Paciente 68 anos, branco, masculino. Há 10 anos submetido à correção de dissecção de aorta tipo A com substituição da aorta ascendente. Em acompanhamento ambulatorial apresentou dor torácica intensa, dilacerante e irradiada para dorso. BEG, eupneico, afebril, grau funcional I (NYHA). Tórax simétrico, ritmo cardíaco regular em dois tempos. Ausculta pulmonar simétrica, sem ruídos adventícios. Abdome sem alterações. Pulsos palpáveis nos quatro membros, com discreta diminuição no membro superior esquerdo e membros inferiores.

ELETROCARDIOGRAMA

Ritmo sinusal, freqüência de 64 bpm. Eixo do complexo QRS +300. Onda T negativa em D3 e AVF sugestivas de isquemia subepicárdica inferior. Alteração de repolarização ventricular com raras extra-sístoles isoladas polimórficas.


Fig. 1 - Tomografia computadorizada helicoidal de tórax. A- luz verdadeira; B- trombos organizados; C- luz falsa.


RADIOGRAMA

Índice cardiotorácico dentro dos limites de normalidade. Suturas metálicas no esterno, transparência normal dos campos pleuro-pulmonares, cúpulas diafragmáticas livres. Alongamento, calcificações e ectasia da aorta torácica. Osteófitos em coluna torácica.

ECOCARDIOGRAMA

O modo transesofágico demonstrou situs solitus em dextrocardia. Conexões veno-atrial, átrio-ventricular e ventrículo-arterial habituais. Ectasia ânulo-aórtica moderada, hipertrofia concêntrica moderada do ventrículo esquerdo adaptado, com fração de ejeção de 58%. Valva aórtica com regurgitação discreta. Aorta ascendente com diâmetro de 41 mm, transversa 35 mm e descendente 46 mm, estas duas com duplo lúmen e fluxo sangüíneo, além de trombose parcial no terço proximal.

DIAGNÓSTICO

A cineangiocoronariografia não foi necessária. Os achados ecocardiográficos foram complementados com a tomografia computadorizada helicoidal que evidenciou claramente dissecção aórtica tipo A envolvendo o arco aórtico, origem do tronco braquiocefálico e toda a aorta torácica descendente (55 mm) e abdominal (Figura 1).

OPERAÇÃO

Toracotomia transesternal mediana, dissecção cuidadosa das aderências, instalação de circulação extracorpórea com canulação da aorta ascendente no tubo de pericárdio implantada na operação anterior e bicaval. Hipotermia profunda a 18ºC e parada circulatória total. O arco aórtico foi aberto longitudinalmente, na direção tubo de pericárdio preexistente até o aneurisma dissecante localizado na transição do arco aórtico e a aorta descendente. Observou-se a falsa luz e o local de reentrada da dissecção a 1 cm acima do óstio do tronco braquiocefálico. Optou-se pela liberação de endoprótese auto-expansível de 30 x 115 mm em aorta descendente. O arco foi reconstruído com tubo de pericárdio bovino corrugado, anastomosado distalmente à endoprótese e, proximalmente, com o tubo preexistente. A origem do tronco braquiocefálico foi tratada e anastomosada ao tubo corrugado. A preservação miocárdica foi realizada com cardioplegia sangüínea retrógrada contínua tépida e de baixo volume. O tempo de circulação extracorpórea foi de 240 minutos, com 78 minutos de parada circulatória total. O paciente evoluiu sem intercorrências, não apresentou seqüela neurológica, foi extubado com 24 horas e recebeu alta hospitalar no décimo dia de pós-operatório.

Departamento de Cirurgia Cardiovascular do Instituto Domingo Braile - Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto - SP.

Article receive on domingo, 1 de maio de 2005

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